22 de maio de 2007

25 de Maio - Dia de Africa


DEUS ABENÇOE ÁFRICA, HOJE E SEMPRE.
KI-KALE NGÓ!

14 de maio de 2007

MONANGOLA







Uma brisa dormente
assalta as consciências humanas
um menino grita
dilacerando a madrugada de mísseis e obuses:
- Tata morreu na guerra
- Aiuê tatauê!
- A fome comeu mamã
- Aiuê mamauê!
- Aiuêeee! Suku, meu Deus, Nzambi...


E a guerra
é só uma guerra
uma guerrinha só
matando, secando a Lavra.
Da guerra
colhemos guerra
a guerra tudo nos tira.
E a guerra
é só uma guerra
duma vontade só
parindo ngongo e sangue
e o País - obsidiado
e Monangola - exangue
ficam sem espera e destino
à beira do pó dos caminhos.


E mesmo no meio da guerra, foi então que se viu
o que não se vira antes:
Camaleões com asas vieram
lá do beco fundo da morte
e sobre o teu corpo negrinho
- inchado de vácuos de fome -
vieram pairando e sugando
com dentes afiados e garras-guerras
retorcidas.






Tata - pai


Suku - Deus (centro e sul de Angola)


Nzambi - Deus (norte de Angola)


Ngongo - Sofrimento


Monangola - Filho/crianca de Angola (mona + Angola)
NAMIBIANO FERREIRA

16 de abril de 2007

SILENCIO, POR FAVOR...
PALAVRAS DESNECESSARIAS!
SILENCE, PLEASE... NO WORDS NEEDED!














(Mutilados de guerra, a maioria ou talvez todas, de origem angolana.)



MINAS ANTI-PESSOAIS? NAO OBRIGADO! LANDMINES? NO THANKS!

PRENÚNCIOS DE GUERRA

Se Catedral do Kuito/Bie













Igreja no Huambo











Longe de mim
longe-longe
Na lonjura de Longondjo
Adivinhou-se o Futuro.

E ninguém, absolutamente Ninguém,
ACREDITOU...

E no entanto,o Padre do Longondjo,
Ainda grita:
Etxi ndavanguíle txeyá-pô!
(O que eu disse tornou-se realidade!)

NAMIBIANO FERREIRA



3 de abril de 2007

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS




(Origem nao identificada - parece tratar-se da Serra Leoa - mas infelizmente tambem se aplica a Angola. Esta imagem dramatica gerou este poema.)
Autor da foto: desconhecido



Construimos a Paz subindo degrau a degrau a construção. E o homem vive ainda a guerra na encruzilhada perene dos dias que lhe faltam para que lhe cantem komba. Acabou a guerra e no entanto, ainda a guerra nestas minhas mãos que não vejo, nestas minhas mãos perdidas em vão numa guerra que nada vos custou, a vós, a não ser as minhas mãos irremediavelmente perdidas e, o prémio ganho, a dependência às mãos e à vontade alheia.

Komba - cerimonias funebres.
NAMIBIANO FERREIRA

7 de novembro de 2006

NA PONTA DO PINDA EM 76





Ponta do Pinda (Tonbwa - Angola)






Em setenta e seis
da Ponta do Pinda
atiraram homens ao mar.
Ninguém viu...
e os deuses, viram?


Em setenta e seis
atiraram da falésia abaixo
os homens para o mar.
Eram seis horas da tarde
se a hora for importante...


Em setenta e seis
os karkamanos
atiraram homens atados
de mãos e pés
da Ponta do Pinda abaixo
para o mar.


Pergumtem às ondas da falésia
onde o mar bate no grés
é lá que existem cazumbis
procurando ainda em vão
se libertarem das amarras
no fundo da falésia
da Ponta do Pinda








Namibiano Ferreira

31 de outubro de 2006

...E SEMPRE A GUERRA + A SECA = A FOME



Espinheiras
secas em pó
e deserto
rodeiam ongandas-cazumbis
abandonadas aos ventos da secura e da guerra.
Esqueletos de vacas
-outrora gordas e ubérrimas-
jazem brancos na aridez
implacável do Deserto.


As ongandas vazias, abandonadas;
os sambos mortos, fantasmas;
as manadas diluídas no pó dos caminhos;
Muílas Mukubais Kurokas
perdidos chorando
nos subúrbios esfomeados das cidades


_ A guerra: grande imenso deserto!
_ A seca: grande Omakisi assassino!


E de longe dizem:
_ Acabou a guerra!
_ Acabou?!...

(Duvida quem sofre: o POVO.)

(Janeiro 1998)
NAMIBIANO FERREIRA